Marcel Duchamp no MAM

É hoje que abre, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a exposição MARCEL DUCHAMP: uma obra que não é uma obra “de arte”.

Esta é a sua maior exposição individual já realizada no Brasil e, para a maioria, uma oportunidade única de ver de perto as obras que chocaram o mundo da arte no anos 1910-1920. Com a criação do conceito readymade -que se trata de tirar produtos industriais da sua finalidade inicial (já “prontos”) e elevá-los à categoria de obra de arte- e do estilo dadaísta -que tem algo de protesto e algo de sarcasmo-, Duchamp questionou a, digamos, “dimensão artística da arte”, a um nível que nenhum outro jamais o fizera.

Cons

agrou-se como um principais artistas do século XX e foi precursor da arte conceitual, muitos anos de isso se tornar um estilo.

Talvez, depois de tanto tempo e passado por tantos movimentos artísticos, especialmente os conceituais, a obra de Duchamp não tenha mais a mesma eloquência. Mas, sem dúvida, vai continuar causando a mesma estranheza. E para quem conhece e admira seu contexto, a visita é obrigatória.

MARCEL DUCHAMP: uma obra que não é uma obra “de arte”
MAM-SP - Parque do Ibirapuera, portão 3
De 15/7 a 21/9
Terça a domingo, das 10h às 18h
R$5,50

Monet e o Impressionismo: a ruptura de 5 séculos

Seria um equívoco dizer que Claude Monet (1840-1926) foi o precursor do Impressionismo, já que as idéias renovadoras do novo estilo já estavam sendo praticadas por Manet (1832-1883), Boudin (1824-189 8) e Courbet (1819-1877), como a desconsideração pelos temas clássicos da Academia e a pintura ao ar livre. Estes pintores, inclusive, influenciaram diretamente a produção de Monet.

O que não diminui em nada a grande figura que foi esse francês e o papel que cumpriu na história da arte: ele tomou a dianteira da batalha que se tornou o mundo das artes quando essas idéias ganharam o gosto de vários outros pintores contemporâneos e que, por isso, se tornaram os principais de seu tempo.

Não à toa. Os ideias impressionistas romperam com a tradição acadêmica que já se mantinha no mesmo caminho desde o Trecento Renascentista, abrindo as portas para os movimentos seguintes, do fauvismo a Pollock. Não mais pintava-se de acordo com cânones, regras de representação pré-estabelecidas que se baseavam nos mestres precedentes (claro-escuro, perspectiva matemática, esquematização do espaço): agora, os artistas pintavam o que viam; eram fiéis a seus olhos e a suas impressões pessoais.

Não mais misturavam-se as tintas antes de aplicá-las, mas sim aplicavam-nas puras direto na tela para deixar que os olhos fizessem a composição. As pinceladas deixaram de ser contínuas. Os temas passaram a ser contemporâneos, cotidianos, dedicados aos pequenos prazeres.

A luz e a cor se tornaram o personagem principal: não importa se numa moça, num jardim ou num pôr-do-sol. Monet se valeu dos efeitos da luz natural sobre as paisagens para reproduzir o mesmo tema em variados momentos do dia, na tentativa de registrar o breve e único momento em que aquele espaço se apresentaria com aquelas cores, aquele luminosidade. Assim, mostrou que mesmo o que parece estar parado pode estar mudança contínua, tal qual a própria vida. A sombra não precisa ser necessariamente negra, o tempo é só um instante que passa.

O tema do quadro não precisa estar necessariamente no centro - influência das gravuras japonesas que os artistas dessa época descobriram. Aliás, às vezes o tema não está em uma porção específica do quadro: a pintura toda tem o mesmo valor.

Monet foi um grande experimentador até o fim dos seus dias. Foi inspiração pessoal de Renoir, Degas, Camille Pissarro, Émile Zola, e inpiração artística de centenas. Não apenas sua obra Impressão: nascer do sol deu identidade ao estilo, mas principalmente uma vida intensa, política e artisticamente.

Art Studio 1

, originally uploaded by appleblossomgirl.

Sonhando com um espaço assim. Quem sabe um dia.

Tirado do grupo Art Studio no Flickr.

Tutankcamel

Tutankcamel, originally uploaded by Gian-boy.

Gian-Boy é florentino, nasceu no final do século XX e faz pinturas no estilo do Egito antigo com qualidade e muito bom humor.

Materiais artísticos: da Renascença à Contemporaneidade

Oficina que acontecerá no Centro Cultural São Paulo com Antonio Sgamellotti, professor de química inorgânica na Universidade de Perugia, na Itália.

O curso diz o seguinte:

As ciências moleculares proporcionam importantes subsídios para estudos arqueológicos e de história da arte. Pesquisas nessa área podem ser aplicadas para indicar procedimentos adequados na conservação e restauração de bens culturais, com o conhecimento detalhado de materiais e técnicas empregados tanto em obras clássicas como na produção contemporânea. Partindo desses princípios, o palestrante irá apresentar estudos realizados em pinturas de Perugino, Rafael, Renoir, Cézanne, Mondrian, Rotcko e Warhol.

Sexta 20/6 - das 10h às 13h
Vagas limitadas - Inscrições: até 18/6. Mais informações aqui.

Obras roubadas. Mais?

De novo, obras roubadas em São Paulo. Eu não sei muito o que pensar sobre isso, são algumas questões a refletir. Vamos lá.

O motivo do roubo
Pelo que informam os jornais, não dá para tentar deduzir se o mandante é alguém atrás de dinheiro ou simplesmente um amante (psicótico) de arte. As obras têm, sim, um grande valor, e Picasso, Segall e Di Cavalcanti estão entre os pintores de mais destaque na história da arte, mas elas não estão entre as mais caras do museu nem são as obras mais importantes dos respectivos artistas. Fora que não poderão ser vendidas de outra forma que não seja no mercado negro.

A segurança da Estação Pinacoteca
Eu concordo em parte que o sistema de segurança seja “adequado”. Não dá para ficar neurótico. Não se pode esquecer que, ao dificultar o acesso de bandidos, se dificulta o acesso de todos. Infelizmente, às vezes medidas mais radicais são necessárias, mas que sejam evitadas ao máximo, não é? Ninguém quer ir ao museu e se deparar com imagens como a Monalisa dentro daquela redoma no Louvre… Ao mesmo tempo, ver obras tão valiosas artisticamente (porque pra mim, dane-se o valor em dinheiro) também tão vulneráveis dá uma certa agonia, quando a gente para para pensar.

Mas eu concordo que faltou pelo menos um detector de metais na Estação. E acho que esse, digamos, excesso de confiança talvez se deva à pouca visitação que o museu recebe normalmente. Será?

Arte virando notícia
Em menos de 1 ano, já é o terceiro roubo de obras de arte em São Paulo, e mais alguns no Rio que não tiveram tanta repercussão. Nesse momento a imprensa está acompanhando cada detalhe da investigação do roubo na Estação Pinacoteca. Não deixa de ser interessante.

Mais sobre a notícia aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u411729.shtml

A Natureza das Coisas no MASP

* Imagem: Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remy - Van Gogh

Sabe que não entender o sentido de uma obra de arte é a base para também não gostar, não é? É por isso que muita gente não gosta de ir a museus de arte.

Eu mesma, que gosto do assunto, muitas vezes me sinto um pouco entediada quando visito uma exposição. Afinal, reduzir o sentido de uma obra ao que nós, leigos, conseguimos ver costuma ser pouco. Visitas monitoradas são ótimas por isso.

Mas o MASP está fazendo um excelente trabalho nesse sentido! Para o aniversário de 60 anos, eles elaboraram uma série de 4 exposições com leituras temáticas do acervo, trazendo obras grandiosas para a história e o entendimento da arte acompanhadas de textos explicativos. Assim, além de proporcionarem novas e mais profundas leituras artísticas -àqueles que já conhecem um pouco-, os textos explicativos funcionam como monitores, apresentando as obras dentro de um contexto e assim permitindo que o público leigo compartilhe desse entendimento.

A exposição A Natureza das Coisas apresenta uma sequência divida em 7 grupos temáticos: grandes paisagens, árvores, parques/jardins, paisagens urbanas, paisagens marítimas, naturezas-mortas e interiores. Ela mostra como a paisagem se tornou um gênero pictórico a partir do século XVII e como a natureza e seus efeitos ganharam a atenção dos mestres da pintura, do “caráter líquido” de William Turner até chegar ao impressionismo e abstracionismo, influenciando as gerações posteriores.

Fala também da paisagem urbana (ou “cultural) que foi um dos temas mais recorrentes no movimento modernista em vários países, assim como as paisagens interiores o foram entre os séculos XVIII e XIX com a afirmação da burguesia, especialmente se mostrasse mais o que se tem do que o que se é.

E fala muito mais. Os conjuntos falam e as obras individualmente também ensinam. Para cada um vão ensinar alguma coisa. Eu saí de lá com as minhas preferidas. E você?

Sem dúvida é uma visita que vale a pena. Para terminar, deixo uma frase do Picasso que está numa das paredes e ajuda a entender o sentido dessa Natureza das Coisas:

“Na arte moderna, no centro da arte não estão mais tanto as coisas em si como a única coisa que importa: o modo de vê-las” - Pablo Picasso

MAC no Ibirapuera

Boas notícias para os paulistanos que curtem um programa cultural!

O Museu de Arte Contemporânea vai mudar de casa. Vai sair da Cidade Universitária e ir para o prédio onde hoje está o Detran, no Parque do Ibirapuera.

A notícia é boa não apenas porque tudo que fica na USP é muuuuuuuito longe para a maioria dos moradores desta cidade, mas também porque o novo local vai ter muito mais espaço, vai consequentemente ganhar uma reforma e as preciosidades que o museu abriga vão ganhar o devido destaque.

Da forma como está hoje, num bairro distante e num prédio pequeno, o MAC nem de longe passa a imagem de um espaço que representa a produção artística do século XX. Seus (poucos) corredores desertos lembram mais exposições modestas em galerias de arte e de artistas pouco conhecidos.

Além de vários andares de exposição e um dedicado ao setor educativo, quem sabe o público em geral consiga se aproximar e, consequentemente, entender melhor a arte contemporânea. Esperemos.

Laços do Olhar

A exposição dedicada ao centenário da imigração japonesa não é apenas para os fãs da cultura nipônica, seus mangás e samurais e como começaram a pipocar na cultura moderna brasileira. Mais que isso, é um convite à reflexão sobre o quanto as duas culturas começaram a se interligar a partir da chegada do primeiro navio repleto de olhos puxados e mentes cheias de esperança de vida nova.

Algumas obras nos dão a sensação de serem 100% japonesas, importadas diretamente de uma decoração ou ritual sagrado exclusivo de lá, como a vestimenta no manequim, as pinturas eróticas em seda e xilogravuras como Guerreiro, de Marten De Vos.

Noutras, a mistura parece proposital, dando para quase enumerar o que é brasileiro e o que japonês (veja o estádio de futebol cujo público se compõe de imagens do imaginário e cultura oriental e ocidental).

Por fim, à primeira vista, algumas delas parecem exemplares típicos de arte brasileira, mas se olharmos por um instante mais, veremos que a imagem retratada (seja uma paisagem ou retrato) tem traços tipicamente orientais - O Homem Amarelo lembra muito (nos traços, cores, enquadramento) A Estudante, ambos de Anita Malfatti.

As variedade das peças também é rica e vai desde o século 19 aos dias atuais, passando pelas principais vertentes artísticas desse período. Impressionismo, artes conceituais, abstracionismos, grafites, ilustrações, poesia concreta, fotografia, escultura, cinema, moda, design. Tem mais.

Só não entendi o que uma obra cuja base está na interação com o espectador, O Bicho da Lygia Clark, estava fazendo imaculada e protegida sob os olhares dos seguranças.

Ainda assim. Três salões e um largo corredor de arte e cultura. Um século de intercâmbio cultural bem selecionado. Esteja você mais interessado na arte ou mais na cultura.

Laços do Olhar
Curadoria de Paulo Herkenhoff
Terça a domingo, das 11h às 20h. Até 10/8.
Instituto Tomie Ohtake
R. Coropés, 88, São Paulo. Tel.: (11) 2245-1900
Grátis

Iron Man (O Homem de Ferro)

Eu sou daquelas pessoas que não conhecem muito quadrinhos. Até gosto de alguns, mas acabei nunca me “viciando” neles e, pra falar a verdade, tenho um pouco de medo de começar a ler e não conseguir mais parar.

Então quando eu vejo um filme adaptado de quadrinhos, não tenho aquele olhar crítico de analisar o que foi fiel ao original. Foi com esses olhos que eu assisti a O Homem de Ferro. E gostei muito!

Gostei de tudo: do elenco, dos efeitos, da história, do dilema moral, do robozinho de estimação, do clima de quadrinhos. Porque, apesar de não conhecer muito, basta ler algum de qualquer herói da Marvel para perceber esse clima, do enredo aos ângulos de câmera.

O cara é pirado. Como todo playboy com o QI acima da média (o que é raro, mesmo na ficção), faz tudo ao contrário do que se espera dele, cativando a admiração dos mortais - não foi só pela fortuna que se tornou celebridade.

Tony Stark é um nerd que deu certo, pelo menos do ponto de vista da sociedade capitalista: tem fama, mulheres, dinheiro. E é nerd. É um nerd porra-louca, popular. É a personificação do que todo nerd queria ser. Ele tem tudo para ser um dos grandes preferidos deles, os nerds.

Brincadeirinhas à parte, vale a pena ver no cinema! O Jeff Bridges tá ótemo!

Alguém me explica por que algumas camisetas são furadas no meio e outras não?

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