Arquivo para Dezembro, 2008

O Quebra-Nozes

A palavra clássico designa aquilo que se aprende em classe; que serve de exemplo a ser aprendido, como um “caso clássico” na medicina, os clássicos gregos e seu ideal de excelência estética e ética. E a música clássica dos mestres compositores das melodias mais grandiosas.

Mas grandiosidade, genialidade, encanto, são apenas palavras que descrevem uma obra clássica. Se não sentidas, não serão compreendidas de fato, e inútil seria tentar explicar a obra.

No século XIX, é noite de natal e o casal Stahlbaum fará uma grande festa, para alegria de seus filhos Clara e Fritz. Dusseldorf, o padrinho de Clara, dá-lhe de presente um quebra-nozes em forma de soldado, com o qual ela fica encantada. Quando todos vão dormir, Clara volta para brincar com seu presente e cai no sono. Sonhando, o brinquedo vira gente, conta suas histórias e a leva a mundos maravilhosos, quando ela é coroada princesa no Reino dos Doces e recebe homenagens de várias partes do mundo. Depois dessa incrível viagem, Clara acorda.

A magia não está só na história. Porque a arte tem dessas coisas, uma linguagem universal que tem o poder de transportar as pessoas para outro universo, não importando que língua você fala, quantos anos tem ou em que ano estamos. Faz a gente redescobrir como é importante -e bom- sonhar.

Quebra-Nozes é um dos três balés compostos por Tchaikovsky e foi encenado pela primeira vez em 1892. Também são dele O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida. É desses espetáculos que servem de alimento à alma, do qual a gente deveria ter doses periódicas.

O Quebra-Nozes

Foto da montagem da Cia. Cisne Negro, temporada 2008 no Teatro Alfa. www.cisnenegro.com.br

Liberdade de expressão … / ?

Andei pensando sobre como me manifestar sobre a permanência na prisão da garota que participou da pichação na Bienal, Caroline Pivetta da Mota. Acaba caindo na discussão de se pichação é arte, e aí complica. Então vamos complicar:

Uma das propostas da Bienal desse ano era questionar a própria Bienal como modelo de instituição de arte e tinha como mote a interação com o público. Fazer o público interagir. Bom, o público interagiu. Fazendo o quê? Questionando a Bienal como modelo de instituição de arte. Onde está o problema?

Veja, não se trata de defender o vandalismo. A meu ver, foi diferente do que foi feito na Galeria Choque Cultural, depredando obras de outros artistas. Se, na Bienal, eles tivessem passado desse limite – que divide expressão de vandalismo – certamente seria outro caso. Nem defender a pichação de locais públicos, prédios, residências. Mas a pichação num evento de arte não deveria ser vista de outra forma? Até um mictório já ganhou status de obra de arte.

Considerando que a intenção declarada de uma Bienal de Arte Comptemporânea era provocar reações, e considerando que provocar uma reação presume que ela nem sempre será previsível, me parece uma grande hipocrisia tratar a ação dos pichadores dentro de um espaço de arte com essa severidade. E manter uma garota na penitenciária por uma estupidez que sai da parede com duas demãos de tinta.

Aliás, apagar as pichações foi outra atitude retrógrada para aquela que se entitula modelo de instituição de arte contemporânea. Se era isso que queriam que questionássemos, já estamos fazendo. Eureka!

Eu tenho a impressão de que este será um daqueles momentos históricos na arte, quando os contemporâneos não estavam preparados para encarar que a arte mudou. Que ela está se tornando mais acessível para contemplação mas também para expressão, e a consequência dessa democratização é que vai vir de tudo: até a expressão na sua forma mais bruta, por razões óbvias. As reações de violência dos garotos e os vidros quebrados na Bienal não fazem parte da ação mas da sua educação falha, da falta de orientação e do que aprenderam que é preciso para sobreviver.

Por isso eu proponho para a próxima Bienal que essa “democratização da arte” seja feita de fato, sem demagogia. Liberem um espaço para a expressão de todos. Mais do que uma lousa e giz, liberem um grande espaço para qualquer expressão. Deixem um andar vazio de novo. A própria proposta do andar vazio era a de proporcionar mais interação com o público. Tudo a ver. O andar vazio nunca mais esteve tão cheio. (Claro, liberem em segredo, pois uma das premissas da pichação é o proibido e um “espaço para isso” não teria o mesmo valor.)

E, por favor, liberem a garota. Não do processo, mas a deixem, pelo menos, responder em liberdade como os outros. Pichem a cara dela, ponham para fazer serviço comunitário, mas penitenciária

Maurício Ianês pós-Bienal

O artista plástico que ficou conhecido como “o pelado da Bienal” falou à Ilustrada sobre sua performance e fez um balanço interessante. Os resultados, como se poderia prever, eram imprevisíveis. As pessoas tiveram reações das mais variadas, como um menino que o encarou durante 40 minutos e ganhou aplausos no final do contato, que foi quebrado pelo artista, uma senhora que fez massagem nos seus pés e confissões de estranhos e até de conhecidos de Ianês.

A reportagem você lê aqui.

Editando post: para acrescentar outra entrevista, um pouco mais longa. Leia.

Aula no Masp: A compoteira de Peras, de Léger

No próximo sábado 6/12, acontecerá a última aula de 2008 do Curso Introdutório à História da Arte a partir da coleção do Masp. O tema deste sábado é a obra de Fernand Léger, A Compoteira de Peras.

Essas aulas, gratuitas, acontecem todo primeiro sábado do mês, das 11h às 13h, de fevereiro a dezembro. São ministradas pelo professor Renato Brolezzi e são uma realização do Serviço Educativo do Masp. Cada aula tem como tema uma obra do Masp, mas são abordados toda a vida produtiva do artista, o estilo e contexto histórico.

É recomendado chegar antes, pois há fila para entrar.

Querido Vincent

Inaugurado no último 30 de novembro:

http://queridovincent.wordpress.com

Vida real ou ficção? Arte ou cotidiano? Contemporaneidade ou antiguidade? Quem é Vincent? Tem alguma coisa a ver com Van Gogh? Por quê?

Só lendo.