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Blindness – agora eu vi

Ensaio Sobre a Cegueira. Autor: José Saramago. Ano de publicação: 1995. Idioma: português.

Segundo livro do Saramago que eu li. Entrou para a minha lista de livros preferidos.

Fala de uma epidemia misteriosa que deixa as pessoas cegas de repente, uma cegueira branca. O pavor toma conta das autoridades e os infectados são isolados e abandonados com a própria cegueira, com exceção de uma mulher que estranhamente não foi infectada. Essa personagem passa a ser secretamente a única a ver o processo de degradação daquelas pessoas. Ela e você, o leitor, compartilham a narrativa do que vai acontecendo.

Agora o filme. Antes:

1. Leia o livro antes de ver o filme;
2. Se não aguentar: não espere um filme a la Hollywood, não espere maiores explicações (se seguiu a orientação n.1, não vai precisar desta).

Agora o filme. Blindness. Diretor: Fernando Meirelles. Ano de lançamento: 2008. Ainda não consigo definir o filme para mim porque, antes de qualquer coisa, foi uma reprodução excelente de um livro excelente e pensar nele apenas como filme ainda não dá.

O espectador não só compartilha com a mulher do médico a condição de ser o único que pode ver. Por vários momentos, também a nós afeta a cegueira branca – e às vezes negra.

Sei lá se porque o Saramago tem esse jeito de vovô-contando-história-sentado-na-cadeira-na-beira-do-passeio (como o meu vô, tal qual Saramago, chamava a calçada), ou se porque você precisa fazer um ligeiro esforço mental para colocar as interrogações onde deveria haver e não há (acho a falta de interrgoação e exclamação mais trabalhosos de interpretar que a falta de pontos), mas o livro me deixou muito menos agoniada que o filme.

Um pouco deve ser porque eu sabia o que estava por vir. No livro, antes dos ditadores da ala 3 dominarem tudo, já era necessário o racionamento de comida, quando os guardas continuaram dando a mesma quantidade de comida mesmo quando chegou mais gente. Me incomoda essa idéia de racionar comida, sabe?

E o abuso dos bandidos, a repressão, o cúmulo a que chegou a situação, a agonia que isso tudo dá! Assistir ao filme é uma experiência em si. Fernando Meirelles está por lá à toa.

Sobre o livro e o filme, ainda teria muito o que falar, mas vale mais a pena vivenciar. Os dois.

O trocadiho do título foi sem querer. Juro

Se quiser ler, tem na web:
Livros de Saramago:
http://www.clube-de-leituras.pt/index.php?s=autores&id=17
Ensaio Sobre a Cegueira (direto):
http://www.clube-de-leituras.pt/upload/e_livros/clle000123.pdf

Iron Man (O Homem de Ferro)

Eu sou daquelas pessoas que não conhecem muito quadrinhos. Até gosto de alguns, mas acabei nunca me “viciando” neles e, pra falar a verdade, tenho um pouco de medo de começar a ler e não conseguir mais parar.

Então quando eu vejo um filme adaptado de quadrinhos, não tenho aquele olhar crítico de analisar o que foi fiel ao original. Foi com esses olhos que eu assisti a O Homem de Ferro. E gostei muito!

Gostei de tudo: do elenco, dos efeitos, da história, do dilema moral, do robozinho de estimação, do clima de quadrinhos. Porque, apesar de não conhecer muito, basta ler algum de qualquer herói da Marvel para perceber esse clima, do enredo aos ângulos de câmera.

O cara é pirado. Como todo playboy com o QI acima da média (o que é raro, mesmo na ficção), faz tudo ao contrário do que se espera dele, cativando a admiração dos mortais – não foi só pela fortuna que se tornou celebridade.

Tony Stark é um nerd que deu certo, pelo menos do ponto de vista da sociedade capitalista: tem fama, mulheres, dinheiro. E é nerd. É um nerd porra-louca, popular. É a personificação do que todo nerd queria ser. Ele tem tudo para ser um dos grandes preferidos deles, os nerds.

Brincadeirinhas à parte, vale a pena ver no cinema! O Jeff Bridges tá ótemo!

Alguém me explica por que algumas camisetas são furadas no meio e outras não?

The Dark Knight

E por falar em lançamentos superesperados do cinema…

Eu já achei Batman Begins o melhor filme do Batman já feito, e o Bruce Waine de Christian Bale a melhor versão do milionário. Para o meu contentamento, esse filme é só o primeiro de uma sequência (trilogia?). O próximo, The Dark Knight, tem tudo para ser sucesso e não decepcionar.

Christopher Nolan é o diretor, o mesmo de Batman Begins (2005), O Grande Truque (The Prestige, 2006), Insônia (Insomnia, 2002) e Amnésia (Memento, 2000). Além do Christian Swing-Kid Bale, tem o falecido Heath Ledger – provavelmente a melhor atuação dele em toda a carreira, e não quero dizer que os outros tenham sido ruins, não -, mais Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. E talvez tão bom quanto seja não ter a Katie Holmes. :o P

Por que eu acho essa versão a melhor? Talvez porque este Batman é o mais humano, mais real, e eu tenho uma tendência a gostar mais dos heróis mais humanos; isso vale também para o Coringa, que parece estar mais sombrio e psicopata do que o caricato interpretado por Jack Nicholson; a mudança de personalidade do Bruce Waine para o morcego ficou perfeita, não apenas ele veste uma armadura como a voz é praticamente outra; fora que conta o início da história e isso é sempre legal (Débi e Lóide não conta). Ah, e não poderia ter Alfred melhor que o Michael Caine.

Diz a Trivia do IMDB que Heath Ledger passou 1 mês trancado sozinho num hotel, estudando para criar a personalidade do Coringa, lendo os gibis, e que até criou um diário no qual escrevia como se fosse o próprio, seus pensamentos e sentimentos. Resumindo, deu uma pirada mesmo.

Vê o trailer aí:
The Dark Knight – O Cavaleiro das Trevas
Previsão de lançamento: 18 de julho

Blindness – Ensaio sobre a cegueira

Quando eu terminei de ler Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, eu achei que esse seria o tipo do livro que seria impossível que virasse filme. Bobinha eu, menosprezando o talento dos roteiristas e diretores de cinema. E de Fernando Meirelles.

Na verdade não se trata só disso. Um dos pontos que tornam o livro incrível é imaginarmos as cenas conforme elas são descritas: com exceção da mulher do médico, só nós conseguimos “ver” o que está acontecendo. Um filme tiraria essa magia. Ou não?

Duvido. Ainda mais agora que vi o trailer, tô com a maior expectativa! Direção do Fernando Meirelles, com Julianne Moore no papel principal, tem ainda Mark Ruffalo no papel do médico, Gael Garcia Bernal e é filmado em São Paulo. Precisa mais? Ah, no elenco tem Alice Braga e Danny Glover também.

Mas em tempo: se puder, leia o livro primeiro. A experiência vale.

Blindness – Ensaio Sobre a Cegueira
Previsão de lançamento: 19 de setembro

Fernando Meirelles mantém um blog falando da produção. A quem interessar: http://blogdeblindness.blogspot.com/

Juno 1g/dia

JunoMuitas coisas me fazem gostar muito de um filme. Uma delas é quando o filme mexe com o telespectador, seja criando sensações, seja deixando marcas.

Juno é um do segundo tipo. Ele cria sensações também, mas não foi isso que mexeu mais comigo.

Só dando uma geral no óbvio primeiro: o filme aborda os assuntos de uma forma não convencional e tem aquele quê de mostrar que a vida pode ser boa mesmo se as coisas não acontecerem sempre como a gente quer.

Pensando nos padrões americanos de contar histórias no cinema – em que ou tudo é perfeito e algo ameaça a perfeição mas no final os mocinhos vivem felizes para sempre, ou vai para um lado mais escrachado a la Simpsons – a forma como se desenrola a história de Juno é, no mínimo, inusitada.

O que encanta é a forma da Juno encarar a vida. Segundo os “padrões”, a vida dela não é perfeita, ela tem problemas e muitas razões para ser uma garota-problema, mas seu jeito descolado de viver e resolver as coisas na sua cabeça dá uma rasteira naqueles que insistem em achar tudo muito difícil.

A Juno, claro, não existe. Uma garota de 16 anos assim tão descolada, tão madura e ao mesmo tempo consciente da própria imaturidade, tão segura quanto à própria imagem e livre de encanações típicas de adolescente, a Juno não falha em nenhum momento. No fim, é isso que torna a história, sim, um conto de fadas.

E a moral da história é: coloque um pouco de Juno na sua vida. Assista e aprenda com ela.

E não por acaso, eles vivem felizes para sempre.