Arquivo para a categoria 'exposições'

Onde blogs e books não se enfrentam

Blooks – Tribos e Letras na Rede é uma exposição para amantes da comunicação e das revoluções tecnológicas que transformaram suas possibilidades. Pode ser também para os amantes da literatura e da poesia, mas isso me parece ter importância secundária.

A internet, a democrática internet, que já derrubou tantas barreiras (culturais, físicas, espaciais), cada dia mais invade as outras mídias e é invadida por elas, para o deleite dos comunicadores que não têm medo de aonde vai dar tudo isso e do quanto teremos que nos adaptar, aprender, mudar hábitos.

Essas inversões ficam evidentes no pequeno espaço da exposição, onde palavras e vozes são a atração principal e convidam o espectador a procurar os sites, blogs e fotologs após a visita. Além do site da própria Blooks, que traz mais conteúdo literário, mais informação e o mais legal: os vídeos das oficinas, mesas redondas e apresentações.

Com tanta contemporaneidade, não deu para entender por que tão pouco espaço para um assunto que pode ser tão explorado. Talvez a palavra falada (dos debates etc.) tenha sido prioridade. Ou talvez aquela resistência ao novo ainda tenha lá suas forças. Vejamos como será daqui pra frente.

Blooks – Tribos e Letras na Rede
7 de maio a 28 de junho de 2009
3a a 6a, das 13h às 21h30
sáb/dom/feriados, das 10h às 18h30
Sesc Pinheiros (2o andar)
R. Paes Leme, 195

Visite: http://blooks.net.br/

Jorge Guinle – Belo Caos

Jorge Guinle – Ar Azul 1981, upload feito originalmente por andrearonqui.

À parte de entender arte abstrata, ver o trabalho de Jorge Guinle é, antes de tudo, uma experiência sensorial.

Cada obra é uma explosão de cores, formas, direções, curvas, contrastes, texturas. Um banquete para aqueles a quem atrai o estímulo visual.

A exposição Belo Caos está acontecendo no MAM/São Paulo e fica até 29 de março.

Jorge Guinle – Belo Caos
MAM/SP

Parque do Ibirapuera, portão 3 – s/nº
Tel.: (11) 5085-1300
Terça a domingo e feriados das 10h às 18h (a bilheteria fecha às 17h30)
R$5,50 (estudantes e idosos pagam meia)

9a Bienal de Design Gráfico

O Centro Cultural São Paulo será o ponto de encontro de designers e artistas da cidade entre 7 de março e 17 de maio de 2009. É lá que está acontecendo a nona edição da Bienal de Design Gráfico.

A exposição traz trabalhos de designers de todo o país, mas o que eu quero destacar mesmo é o ciclo de palestras e debates que vai acontecer durante esse período. Profissionais das áreas de design gráfico, tipografia, dança e teatro trarão suas experiências, com espaço para troca de ideias.

Corra lá e veja a programação!

9a Bienal de Design Gráfico
Onde: Centro Cultural São Paulo
– Piso Caio Graco
Quando: 7/3 a 17/5/2009
Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Luciana Maas – Memória e Imaginação

As artes visuais, considerando-se aqui todas aquelas que se utilizam da linguagem visual, encantam, comovem, impressionam, porque permitem que se veja o olhar que outra pessoa tem do mundo. Assim, pintores, diretores de cinema, fotógrafos, são todos artistas.

As pinturas de Luciana Maas são seu olhar do mundo. Suas figuras de rostos indefinidos têm a fugacidade de um sonho, mas a singeleza das situações reflete  cenas que se encaixariam no cotidiano de qualquer um.

Não arriscaria dizer mais que isso, o resto deixo por conta do olhar de cada um:

Butiquim 02 (2004 - guache s/ papel)

Butiquim 02 (2004 - guache s/ papel)


Luciana Maas – Memória e imaginação

Espaço Cultural Citi
Av. Paulista, 1.111
Segunda à sexta, das 9h às 19h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h
Grátis

Você pode ver a galeria completa no UOL.

Soso: a galeria de arte africana que São Paulo ganhou

De hoje a 21 de março estarão expostos os trabalhos dos 4 artistas angolanos na mostra que inaugura em São Paulo a Galeria Soso Arte Contemporânea Africana, primeira galeria de arte africana do país: a África de hoje, sua produção artística contemporânea. Tem co-produção da Fundação Sindika Dokolo, de Luanda, edireção artística de Fernando Alvim, vice-presidente da fundação.

A galeria foi montada no segundo andar do edifício Seguradoras, na av. São João, cujo projeto tem a assinatura de Oscar Niemeyer. Além da instalação da galeria, o Hotel Central (projeto de Ramos de Azevedo) também está sendo reformado e transformado em residência artística. Os artistas da primeira mostra -Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine- ficarão lá por 15 dias. A idéia é que os 40 quartos do hotel recebam instalações de artistas africanos.

Saiba mais na Ilustrada e no blog da Sachi, que é coordenadora da fundação e está participando dos bastidores dessa produção.

Soso Arte Contemporânea Africana
Av. São João, 313, 2o andar
Tel.: (11) 3222-3973
Segunda a sexta – 11h às 19h
Sábado – 11h às 16h30
Grátis

Maurício Ianês – o pelado da Bienal

As artes performáticas foram outra invenção da Arte Contemporânea – e um grande fator complicador na hora de entender essa loucura toda. Mas elas estão aí, inclusive, claro, na Bienal desse ano.

Maurício Ianês é o artista que está desde o último dia 4 na Bienal, com uma proposta artística que eu achei MUITO interessante: ir para o pavilhão sem roupas, comida ou qualquer outra coisa além do própio corpo nu e ficar lá por duas semanas, dependendo exclusivamente da bondade dos visitantes para comer, se vestir, etc.

Ianês já não está mais pelado desde o primeiro dia, mas por incrível que pareça continua como um dos principais destaques nessa Bienal do Vazio. Já ganhou um monte de coisas, do básico a alguns supérfluos, e está atraindo para a exposição gente que vai só para vê-lo.

Como performance, achei sensacional! Primeiro pela interação que ela proporciona, mas indo mais além, pelos sentimentos que desperta; esses sentimentos geram reações que, por sua vez, resultam na interação. E mais: são reações diferentes, afinal cada um tem seu próprio repertório de vida, seus valores. Por fim, aqueles que interagiram com ele vão levar aquela pequena experiência na memória.

As reações, embora diversificadas, na sua maioria baseiam-se em solidariedade, o que também compõe o perfil da “obra”, ou da performance. É de um certo alívio confirmar que a maioria das pessoas preza mais o valor por um ser humano, ainda que esteja ali de própria vontade, do que a curiosidade sádica de alguns que chegaram a dizer que o deixariam sem nada, só para ver até quando ele aguentaria. Também é uma forma de reação, mas quem diz isso se aproxima mais daquele costarriquenho que se diz artista e deixou um cachorro morrer de fome durante uma exposição no Nicarágua.

O artista não fala, mas corresponde a abraços, apertos de mão e pedidos de fotos. Resta saber se, no fim dessas duas semanas, ele terá atingido seu objetivo, já que a arte performática, antes de ser uma experiência coletiva, é pessoal do artista.

Viver Design SP

De hoje até domingo acontece em São Paulo a série de eventos simuntâneos voltados ao mundo do design entitulada Viver Design SP – KM, M, MM (isso mesmo: quilômetro, metro, milímetro). Para abordar tudo o que o design engloba, dividiram as atividades nas seguintes áreas:

HABITAR Design
USAR Design
COMUNICAR Design
VESTIR Design
PENSAR Design

Dentro de cada segmento, o evento traz exposições, seminários, oficinas, instalações, exibição de curtas-metragens, mesas-redondas, que acontecem em pontos espalhados pela cidade: estações de metrô, museus, galerias de arte, ateliês de artistas e universidades. Alguns são pagos, mas a maioria é gratuita.

Confira a programação: http://www.viverdesignsp.com.br/

O evento tem o apoio da prefeitura e pretende consolidar-se no calendário da cidade, além de contar com profissionais reconhecidos nas respectivas áreas.

28ª Bienal de Arte de SP

A arte contemporânea está, como de costume, causando polêmica. O legal é que essa polêmica não tem só a ver com a complexidade que caracteriza a arte contemporânea, dificultando a compreensão do público leigo. As opiniões divergem também entre artistas.

Os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen optaram por deixar um andar inteiro do pavilhão vazio, a fim de questionar a Bienal como modelo de instituição de arte, gerando discussões e, com elas, estimular a tomada de partidos.

Como eu sempre digo, quando se trata de arte contemporânea eu mais escuto do que falo, porque é uma área ainda difícil para eu entender. Mas, até onde consigo, esse discurso me pareceu muito fraco. Eu tenho a impressão de que ele pega carona no pensamento dadaísta -questionar o que se considera arte-, questionando a Bienal como o que consideramos o maior evento dessa área. Discussão de 80 anos atrás, basicamente, o que me faz chegar à conclusão que não se tem o que falar em arte desde então. Ou, pelo menos, é o que mostra (correspondendo à realidade ou não).

O artistas e entendidos, por sua vez, criticam a exposição pela falta de valorização de muitos artistas contemporâneos que poderiam estar ocupando o espaço, ainda mais num evento desse porte. Veja no vídeo aqui.

Agora vá você e tire suas próprias conclusões.

* * *
28a Bienal de Arte de São Paulo

De 26/10 a 6/12
Terça a domingo das 10h às 22h (entrada no pavilhão até as 21h)
Pq. Ibirapuera – av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3
Tel.: 5576-7600

Grátis

Terra Santa no MASP

Nesta semana, o MASP abriu a exposição Tesouros da Terra Santa, que traz do Museu de Israel peças arqueológicas que comprovam e ilustram várias passagens famosas da Antiguidade, do Velho e Novo Testamento.

A peças, que contam mais de mil anos da história antiga, desde a dinastia do Rei Davi (aproximadamente 1000 a.C.) até 640 d.C., dão uma idéia dos hábitos e estilo de vida de cristãos e israelitas e de como as duas religiões conviviam na época.

Um busto de Alexandre, o Grande, uma inscrição citando Pôncio Pilatos e o ossuário de Caifás estão entre cerca de 150 objetos da exposição.

Mais informações aqui.

Tesouros da Terra Santa – do Rei David ao Cristianismo
MASP – Primeiro subsolo
13 de agosto a 2 de novembro
Terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h
R$15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante). Grátis às terças.

Marcel Duchamp no MAM

É hoje que abre, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a exposição MARCEL DUCHAMP: uma obra que não é uma obra “de arte”.

Esta é a sua maior exposição individual já realizada no Brasil e, para a maioria, uma oportunidade única de ver de perto as obras que chocaram o mundo da arte no anos 1910-1920. Com a criação do conceito readymade -que se trata de tirar produtos industriais (já “prontos”) da sua finalidade inicial e elevá-los à categoria de obra de arte- e do estilo dadaísta -que tem algo de protesto e algo de sarcasmo-, Duchamp questionou a, digamos, “dimensão artística da arte”, em um nível que nenhum outro jamais o fizera.

Consagrou-se como um principais artistas do século XX e foi precursor da arte conceitual, muitos anos de isso se tornar um estilo.

Talvez, depois de tanto tempo e passado por tantos movimentos artísticos, especialmente os conceituais, a obra de Duchamp não tenha mais a mesma eloquência. Mas, sem dúvida, vai continuar causando a mesma estranheza. E para quem conhece e admira seu contexto, a visita é obrigatória.

MARCEL DUCHAMP: uma obra que não é uma obra “de arte”
MAM-SP – Parque do Ibirapuera, portão 3
De 15/7 a 21/9
Terça a domingo, das 10h às 18h
R$5,50

- – - – -

Próxima Página »