Considerando o teatro uma forma de expressão do homem diante da vida, pode-se dizer que ele surgiu muito antes dos festivais dramáticos gregos. Porém, o teatro tal qual o conhecemos, com autor, atores, enredo, palco e platéia, este sim devemos aos antigos eruditos da Grécia.
Tem-se notícia que esses festivais aconteciam em Atenas, a partir do século VI a.C., e consistiam em hinos ao deus Dionysos, deus das festividades e do vinho, entoados por um coro que, por sua vez, era liderado pelo corifeu. Thespis foi o primeiro vestir uma máscara e encarnar o papel do próprio deus Dionysos diante do público: estava criado o ator (o hypokrites).
No santuário onde se realizavam os festivais, o público se acomodava ao redor daquele círculo de areia (a arena) e acrescentando tábuas para sentar nas encostas das montanhas, criando o théatron (em grego: “local de onde se vê”). Os gregos eram excelentes arquitetos e, foi se utilizando dessa estrutura natural que foram sendo desenvolvidos projetos dos teatros, construções de acústica perfeita.
A partir de então, o autor escrevia os versos da música a ser encenada, um harpista compunha as notas e atores eram contratados – inicialmente eram dois, depois três, e sempre todos homens.
Havia cerca de 150 autores nesse período, mas pouquíssimos textos sobreviveram até a contemporaneidade: as tragédias de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, e as comédias de Aristófanes.
Cenografia
Diante da necessidade de um local para os atores trocarem de roupa, ergueram ao fundo da arena uma tenda para esse fim, a skene (scenae), que passou a ter uma estrutura mais sólida posteriormente. Sófocles (séc. V a.C.) pediu que naquele tecido fosse pintado um painel da cidade de Tebas: o primeiro cenário, o início da cenografia (scenae + graphos).
Democracia
A produção desses espetáculos envolvia quase toda a população. Àqueles que não poderiam pagar, foi criado o theoricon – pagamento do ingresso de teatro pelo Estado para que ninguém perdesse o espetáculo, tal era sua importância social e cultural naquela sociedade.
Os jovens, porém, eram proibidos por lei de assistirem às comédias até que tivessem maturidade e instrução suficientes para as festas e o vinho.
Oralidade
A comunicação falada fazia parte da cultura erudita grega. Os gregos só conheciam a leitura em voz alta: os textos teatrais eram escritos para serem falados e não se lia em outra condição, nem se escrevia para outro fim, de forma que o diálogo, o falar e ouvir, eram muito valorizados.
O homem, enquanto primitivo, já era um ator diante da natureza. O teatro tornou-se seu espaço reservado para o culto daquilo que valorizava. E assim é até hoje. O teatro é o mesmo: apenas mudaram os homens e os valores.
(*Texto baseado em excertos da aula “O Teatro Grego” do prof. Cyro del Nero, USP, São Paulo)