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Soso: a galeria de arte africana que São Paulo ganhou

De hoje a 21 de março estarão expostos os trabalhos dos 4 artistas angolanos na mostra que inaugura em São Paulo a Galeria Soso Arte Contemporânea Africana, primeira galeria de arte africana do país: a África de hoje, sua produção artística contemporânea. Tem co-produção da Fundação Sindika Dokolo, de Luanda, edireção artística de Fernando Alvim, vice-presidente da fundação.

A galeria foi montada no segundo andar do edifício Seguradoras, na av. São João, cujo projeto tem a assinatura de Oscar Niemeyer. Além da instalação da galeria, o Hotel Central (projeto de Ramos de Azevedo) também está sendo reformado e transformado em residência artística. Os artistas da primeira mostra -Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine- ficarão lá por 15 dias. A idéia é que os 40 quartos do hotel recebam instalações de artistas africanos.

Saiba mais na Ilustrada e no blog da Sachi, que é coordenadora da fundação e está participando dos bastidores dessa produção.

Soso Arte Contemporânea Africana
Av. São João, 313, 2o andar
Tel.: (11) 3222-3973
Segunda a sexta – 11h às 19h
Sábado – 11h às 16h30
Grátis

Liberdade de expressão … / ?

Andei pensando sobre como me manifestar sobre a permanência na prisão da garota que participou da pichação na Bienal, Caroline Pivetta da Mota. Acaba caindo na discussão de se pichação é arte, e aí complica. Então vamos complicar:

Uma das propostas da Bienal desse ano era questionar a própria Bienal como modelo de instituição de arte e tinha como mote a interação com o público. Fazer o público interagir. Bom, o público interagiu. Fazendo o quê? Questionando a Bienal como modelo de instituição de arte. Onde está o problema?

Veja, não se trata de defender o vandalismo. A meu ver, foi diferente do que foi feito na Galeria Choque Cultural, depredando obras de outros artistas. Se, na Bienal, eles tivessem passado desse limite – que divide expressão de vandalismo – certamente seria outro caso. Nem defender a pichação de locais públicos, prédios, residências. Mas a pichação num evento de arte não deveria ser vista de outra forma? Até um mictório já ganhou status de obra de arte.

Considerando que a intenção declarada de uma Bienal de Arte Comptemporânea era provocar reações, e considerando que provocar uma reação presume que ela nem sempre será previsível, me parece uma grande hipocrisia tratar a ação dos pichadores dentro de um espaço de arte com essa severidade. E manter uma garota na penitenciária por uma estupidez que sai da parede com duas demãos de tinta.

Aliás, apagar as pichações foi outra atitude retrógrada para aquela que se entitula modelo de instituição de arte contemporânea. Se era isso que queriam que questionássemos, já estamos fazendo. Eureka!

Eu tenho a impressão de que este será um daqueles momentos históricos na arte, quando os contemporâneos não estavam preparados para encarar que a arte mudou. Que ela está se tornando mais acessível para contemplação mas também para expressão, e a consequência dessa democratização é que vai vir de tudo: até a expressão na sua forma mais bruta, por razões óbvias. As reações de violência dos garotos e os vidros quebrados na Bienal não fazem parte da ação mas da sua educação falha, da falta de orientação e do que aprenderam que é preciso para sobreviver.

Por isso eu proponho para a próxima Bienal que essa “democratização da arte” seja feita de fato, sem demagogia. Liberem um espaço para a expressão de todos. Mais do que uma lousa e giz, liberem um grande espaço para qualquer expressão. Deixem um andar vazio de novo. A própria proposta do andar vazio era a de proporcionar mais interação com o público. Tudo a ver. O andar vazio nunca mais esteve tão cheio. (Claro, liberem em segredo, pois uma das premissas da pichação é o proibido e um “espaço para isso” não teria o mesmo valor.)

E, por favor, liberem a garota. Não do processo, mas a deixem, pelo menos, responder em liberdade como os outros. Pichem a cara dela, ponham para fazer serviço comunitário, mas penitenciária

Maurício Ianês – o pelado da Bienal

As artes performáticas foram outra invenção da Arte Contemporânea – e um grande fator complicador na hora de entender essa loucura toda. Mas elas estão aí, inclusive, claro, na Bienal desse ano.

Maurício Ianês é o artista que está desde o último dia 4 na Bienal, com uma proposta artística que eu achei MUITO interessante: ir para o pavilhão sem roupas, comida ou qualquer outra coisa além do própio corpo nu e ficar lá por duas semanas, dependendo exclusivamente da bondade dos visitantes para comer, se vestir, etc.

Ianês já não está mais pelado desde o primeiro dia, mas por incrível que pareça continua como um dos principais destaques nessa Bienal do Vazio. Já ganhou um monte de coisas, do básico a alguns supérfluos, e está atraindo para a exposição gente que vai só para vê-lo.

Como performance, achei sensacional! Primeiro pela interação que ela proporciona, mas indo mais além, pelos sentimentos que desperta; esses sentimentos geram reações que, por sua vez, resultam na interação. E mais: são reações diferentes, afinal cada um tem seu próprio repertório de vida, seus valores. Por fim, aqueles que interagiram com ele vão levar aquela pequena experiência na memória.

As reações, embora diversificadas, na sua maioria baseiam-se em solidariedade, o que também compõe o perfil da “obra”, ou da performance. É de um certo alívio confirmar que a maioria das pessoas preza mais o valor por um ser humano, ainda que esteja ali de própria vontade, do que a curiosidade sádica de alguns que chegaram a dizer que o deixariam sem nada, só para ver até quando ele aguentaria. Também é uma forma de reação, mas quem diz isso se aproxima mais daquele costarriquenho que se diz artista e deixou um cachorro morrer de fome durante uma exposição no Nicarágua.

O artista não fala, mas corresponde a abraços, apertos de mão e pedidos de fotos. Resta saber se, no fim dessas duas semanas, ele terá atingido seu objetivo, já que a arte performática, antes de ser uma experiência coletiva, é pessoal do artista.

Obras roubadas. Mais?

De novo, obras roubadas em São Paulo. Eu não sei muito o que pensar sobre isso, são algumas questões a refletir. Vamos lá.

O motivo do roubo
Pelo que informam os jornais, não dá para tentar deduzir se o mandante é alguém atrás de dinheiro ou simplesmente um amante (psicótico) de arte. As obras têm, sim, um grande valor, e Picasso, Segall e Di Cavalcanti estão entre os pintores de mais destaque na história da arte, mas elas não estão entre as mais caras do museu nem são as obras mais importantes dos respectivos artistas. Fora que não poderão ser vendidas de outra forma que não seja no mercado negro.

A segurança da Estação Pinacoteca
Eu concordo em parte que o sistema de segurança seja “adequado”. Não dá para ficar neurótico. Não se pode esquecer que, ao dificultar o acesso de bandidos, se dificulta o acesso de todos. Infelizmente, às vezes medidas mais radicais são necessárias, mas que sejam evitadas ao máximo, não é? Ninguém quer ir ao museu e se deparar com imagens como a Monalisa dentro daquela redoma no Louvre… Ao mesmo tempo, ver obras tão valiosas artisticamente (porque pra mim, dane-se o valor em dinheiro) também tão vulneráveis dá uma certa agonia, quando a gente para para pensar.

Mas eu concordo que faltou pelo menos um detector de metais na Estação. E acho que esse, digamos, excesso de confiança talvez se deva à pouca visitação que o museu recebe normalmente. Será?

Arte virando notícia
Em menos de 1 ano, já é o terceiro roubo de obras de arte em São Paulo, e mais alguns no Rio que não tiveram tanta repercussão. Nesse momento a imprensa está acompanhando cada detalhe da investigação do roubo na Estação Pinacoteca. Não deixa de ser interessante.

Mais sobre a notícia aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u411729.shtml

MAC no Ibirapuera

Boas notícias para os paulistanos que curtem um programa cultural!

O Museu de Arte Contemporânea vai mudar de casa. Vai sair da Cidade Universitária e ir para o prédio onde hoje está o Detran, no Parque do Ibirapuera.

A notícia é boa não apenas porque tudo que fica na USP é muuuuuuuito longe para a maioria dos moradores desta cidade, mas também porque o novo local vai ter muito mais espaço, vai consequentemente ganhar uma reforma e as preciosidades que o museu abriga vão ganhar o devido destaque.

Da forma como está hoje, num bairro distante e num prédio pequeno, o MAC nem de longe passa a imagem de um espaço que representa a produção artística do século XX. Seus (poucos) corredores desertos lembram mais exposições modestas em galerias de arte e de artistas pouco conhecidos.

Além de vários andares de exposição e um dedicado ao setor educativo, quem sabe o público em geral consiga se aproximar e, consequentemente, entender melhor a arte contemporânea. Esperemos.

Robert Rauschenberg morre aos 82 anos

O artista foi um dos mais brilhantes da produção artística americana do período pós-Segunda Guerra, contemporêaneo de Jackson Pollock, Willem Kooning e Jasper Johns. Sua produção teve como base os cânones de Duchamp, entre outros, mas foi muito além disso: uniu escultura, pintura, fotografia, tecnologia e artes performáticas, criando uma nova era de experimentação na arte e influenciando artistas posteriores.

Estava programada uma exposição do artista no Instituto Tomie Ohtake, para março do ano que vem. Ela será adiada, mas acontecerá ainda em 2009, de acordo com o Instituto.
Leia a matéria completa aqui (inglês).

“Vesuvius”, de Andy Warhol, irá a leilão

Trata-se de uma das 18 telas da série dedicada ao vulcão, à época da erupção, na ocasião de uma ida de Warhol a Nápoles.

O preço estimado da obra está entre 700 mil e 1 milhão de euros.

Leia mais aqui.

Medalha de ouro para o Louvre

Então o Louvre é o museu mais visitado do mundo, hein?

Bom, a gente já imaginava, se considerar que o Louvre é o museu mais famoso também. Se pedirem para pensar num museu fora do país, qual seria o primeiro nome que lhe viria à cabeça? Moma? National Gallery? Galeria degli Uffizi? Claro que não, principalmente para o público leigo.

Ora, a Monalisa está lá. A Vênus de Milo está lá. São os típicos exemplos do que as pessoas conhecem e querem ver. Mas claro que é mais que isso. Lá tem o suficiente para saciar aqueles que se contentam com um único dia de visita (e ver a Monalisa, a Vênus, etc.), para aqueles que conhecem um pouco mais e precisariam de dois dias e para aqueles que sabem que uma visita mais completa requer várias idas à França. O lugar é gigantesco!

Deu na Ilustrada hoje
Os dados a seguir são dessa matéria.

No ano passado, o Louvre recebeu 8,3 milhões de pessoas. Em segundo e terceiro lugar, o Centro Georges Pompidou também em Paris e o Tate Modern em Londres, respectivamente. A título de comparação, eles citam quanto a Pinacoteca teve de visitas em 2006: 430 mil. O MAM de São Paulo, 237 mil.

Os EUA são o país com maior número de museus (são 16). A Inglaterra, com 8, está em segundo.

Esse levantamento foi feito pelo jornal londrino Art Newspaper. Entre os 60 museus mais visitados do mundo, não consta nenhum da América Latina.

Aí eu me pergunto
Será que brasileiro não tem mesmo a cultura de frequentar museu?

Ou será que os nossos museus são inferiores em relação aos outros, no que oferecem a seus visitantes?

Uma coisa é fato: as pessoas não entendem nada sobre arte, e a gente sabe como se torna cansativo e entediante vendo algo que não entendemos – de um texto em árabe a um filme de cinema alternativo. Nada sobre teoria da arte, sobre história, sobre a vida dos artistas e suas conquistas, rupturas, experiências.

Só o que temos em comum com eles, entendidos (artistas, críticos e afins) são as sensações. Qualquer um sabe dizer se gosta ou não de uma obra de arte, se ela lhe causa boas ou más impressões, se acha as cores bonitas, se teria aquele quadro na parede da sala. E só.

Logo, visitar um museu sem entender nada se torna chato em pouco tempo.

Mais uma prova de que o ensino de arte no Brasil precisa de – muita – atenção.