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Maurício Ianês – o pelado da Bienal

As artes performáticas foram outra invenção da Arte Contemporânea – e um grande fator complicador na hora de entender essa loucura toda. Mas elas estão aí, inclusive, claro, na Bienal desse ano.

Maurício Ianês é o artista que está desde o último dia 4 na Bienal, com uma proposta artística que eu achei MUITO interessante: ir para o pavilhão sem roupas, comida ou qualquer outra coisa além do própio corpo nu e ficar lá por duas semanas, dependendo exclusivamente da bondade dos visitantes para comer, se vestir, etc.

Ianês já não está mais pelado desde o primeiro dia, mas por incrível que pareça continua como um dos principais destaques nessa Bienal do Vazio. Já ganhou um monte de coisas, do básico a alguns supérfluos, e está atraindo para a exposição gente que vai só para vê-lo.

Como performance, achei sensacional! Primeiro pela interação que ela proporciona, mas indo mais além, pelos sentimentos que desperta; esses sentimentos geram reações que, por sua vez, resultam na interação. E mais: são reações diferentes, afinal cada um tem seu próprio repertório de vida, seus valores. Por fim, aqueles que interagiram com ele vão levar aquela pequena experiência na memória.

As reações, embora diversificadas, na sua maioria baseiam-se em solidariedade, o que também compõe o perfil da “obra”, ou da performance. É de um certo alívio confirmar que a maioria das pessoas preza mais o valor por um ser humano, ainda que esteja ali de própria vontade, do que a curiosidade sádica de alguns que chegaram a dizer que o deixariam sem nada, só para ver até quando ele aguentaria. Também é uma forma de reação, mas quem diz isso se aproxima mais daquele costarriquenho que se diz artista e deixou um cachorro morrer de fome durante uma exposição no Nicarágua.

O artista não fala, mas corresponde a abraços, apertos de mão e pedidos de fotos. Resta saber se, no fim dessas duas semanas, ele terá atingido seu objetivo, já que a arte performática, antes de ser uma experiência coletiva, é pessoal do artista.

28ª Bienal de Arte de SP

A arte contemporânea está, como de costume, causando polêmica. O legal é que essa polêmica não tem só a ver com a complexidade que caracteriza a arte contemporânea, dificultando a compreensão do público leigo. As opiniões divergem também entre artistas.

Os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen optaram por deixar um andar inteiro do pavilhão vazio, a fim de questionar a Bienal como modelo de instituição de arte, gerando discussões e, com elas, estimular a tomada de partidos.

Como eu sempre digo, quando se trata de arte contemporânea eu mais escuto do que falo, porque é uma área ainda difícil para eu entender. Mas, até onde consigo, esse discurso me pareceu muito fraco. Eu tenho a impressão de que ele pega carona no pensamento dadaísta -questionar o que se considera arte-, questionando a Bienal como o que consideramos o maior evento dessa área. Discussão de 80 anos atrás, basicamente, o que me faz chegar à conclusão que não se tem o que falar em arte desde então. Ou, pelo menos, é o que mostra (correspondendo à realidade ou não).

O artistas e entendidos, por sua vez, criticam a exposição pela falta de valorização de muitos artistas contemporâneos que poderiam estar ocupando o espaço, ainda mais num evento desse porte. Veja no vídeo aqui.

Agora vá você e tire suas próprias conclusões.

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28a Bienal de Arte de São Paulo

De 26/10 a 6/12
Terça a domingo das 10h às 22h (entrada no pavilhão até as 21h)
Pq. Ibirapuera – av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3
Tel.: 5576-7600

Grátis