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O princípio da Renascença: Brunelleschi, Donatello e Masaccio

Foi quase um século após a morte de Giotto que os novos preceitos artísticos por ele introduzidos ganharam espaço na Europa, na mão das gerações seguintes de artistas.

Filippo Brunelleschi (1377-1446) foi o primeiro arquiteto dito renascentista. Entre suas principais obras estão a cúpula da Catedral Santa Maria del Fiore e a Capela Pazzi, ambas em Florença. A primeira foi seu primeiro grande feito arquitetônico e diversas curiosidades históricas marcaram sua construção, mas o que deu fama a Brunelleschi foi a nova concepção de espaço que ele aplicou nesse projeto e nos seguintes, além de uma outra concepção de beleza adquirida por meio do estudo dos clássicos gregos e romanos e da natureza.

A nova onda humanista dizia que o indivíduo e o espaço têm tamanhos proporcionais, logo a natureza podia ser representada com exatidão quase científica. Assim fica mais fácil entender as relações de proporção e os desdobramentos que vemos no interior da Capela Pazzi. Assim, Brunelleschi introduziu o estudo perspectivo.

Esse novo método de representação, que incluía a perspectiva e o estudo dos clássicos e da natureza não tardou a impressionar seus contemporâneos. Donatello (1386-1466), escultor e amigo de Brunelleschi, se interessou pelo esquema escultórico greco-romano e aplicou a eles os conceitos humanistas: agora o homem é capaz de dominar a luz pela maneira de esculpir – “reproduzir” a luz. Além disso, a exemplo dos metres clássicos, ele passou a estudar a anatomia humana e atribuir a suas obras uma impressionante dramaticidade (ver S. Jorge, Museo Nazionale del Bargello, Florença; e O Festim de Herodes, relevo na pia batesimal da catedral de Siena).

A arte da perspectiva chegou às telas por meio do pintor Masaccio (1401-1428), que a usou para acentuar a atmosfera desejada em suas obras, especialmente a sensação de convidar o observador a sentir-se mais perto das figuras representadas. Mais ainda, é possível ver dentro do quadro o interior de uma catedral nos moldes daquela de Brunelleschi, como se o quadro fizesse um buraco na parede. Masaccio retomou a expressividade de Giotto: a luz intensificando a idéia de profundidade e o gesto relacionando as figuras entre si.

Esses três mestres florentinos sistematizaram o esquema iniciado por Giotto, influenciados pelo novo pensamento humanista e tornando-se, assim, os primeiros grandes artistas dessa nova era, quando a arte renasceu.

Fonte: A História da Arte, E.H. Gombrich. Ed. LTC.

Giotto

Um dos artistas que mais fizeram diferença para a história da arte, que mudaram os rumos dessa história, mas que quase não são conhecidos pelo público leigo. Este é Giotto di Bondone.

Em todo o decorrer da Idade Média, a arte ficou subjugada à idéia de que o mundo real é o mundo da tentação e não deve ser representado como é; não existe qualquer vestígio de sutileza na representação da figura humana, com formas geometrizadas, esquematizadas e sem gradação tonal. Uma nova estrutura de sociedade estava em ascensão, o surgimento do comércio dera origem a uma burguesia endinheirada e sedenta de uma nova ordem, uma nova fé no homem – primeiros indício do Humanismo.

Foi no final desse período que surgiu a Ordem Franciscana, lançando uma nova crença: a de que Deus está em todo lugar, em todas as criaturas, e que para livrar-se das tentações mundanas era necessário viver plenamente de forma cristã. Essa nova religiosidade passou a fornecer as histórias que dariam a dramaticidade que haveria na arte a partir de então.

Giotto é considerado o iniciador da era da pintura ocidental, mas por quê? A sua caracterização de São Francisco de Assis modificou a forma de representar os santos católicos já que, pela primeira vez, os santos se assemelhavam ao homem comum.

Esse senso de realidade vai além das ilustrações expressivas: os personagens são representados praticando atividades banais, as vestimentas são simples; os gestos, pausas e distâncias são cuidadosamente trabalhados, são eles que ordenam o espaço e, principalmente, passam a mensagem. A variação de tons e a tridimensionalidade prenunciam as tendências renascentistas.

Giotto devolveu à pintura seu lugar de destaque, que antes era ocupado pela escultura (góticos), a arquitetura (românicos) e o mosaico (bizantinos). Mais que isso, deu a ela um destaque que nunca tivera antes: a partir do Renascimento, a pintura viria a se tornar a maior das artes.