Um dos artistas que mais fizeram diferença para a história da arte, que mudaram os rumos dessa história, mas que quase não são conhecidos pelo público leigo. Este é Giotto di Bondone.
Em todo o decorrer da Idade Média, a arte ficou subjugada à idéia de que o mundo real é o mundo da tentação e não deve ser representado como é; não existe qualquer vestígio de sutileza na representação da figura humana, com formas geometrizadas, esquematizadas e sem gradação tonal. Uma nova estrutura de sociedade estava em ascensão, o surgimento do comércio dera origem a uma burguesia endinheirada e sedenta de uma nova ordem, uma nova fé no homem – primeiros indício do Humanismo.
Foi no final desse período que surgiu a Ordem Franciscana, lançando uma nova crença: a de que Deus está em todo lugar, em todas as criaturas, e que para livrar-se das tentações mundanas era necessário viver plenamente de forma cristã. Essa nova religiosidade passou a fornecer as histórias que dariam a dramaticidade que haveria na arte a partir de então.
Giotto é considerado o iniciador da era da pintura ocidental, mas por quê? A sua caracterização de São Francisco de Assis modificou a forma de representar os santos católicos já que, pela primeira vez, os santos se assemelhavam ao homem comum.
Esse senso de realidade vai além das ilustrações expressivas: os personagens são representados praticando atividades banais, as vestimentas são simples; os gestos, pausas e distâncias são cuidadosamente trabalhados, são eles que ordenam o espaço e, principalmente, passam a mensagem. A variação de tons e a tridimensionalidade prenunciam as tendências renascentistas.
Giotto devolveu à pintura seu lugar de destaque, que antes era ocupado pela escultura (góticos), a arquitetura (românicos) e o mosaico (bizantinos). Mais que isso, deu a ela um destaque que nunca tivera antes: a partir do Renascimento, a pintura viria a se tornar a maior das artes.
